Educação Ambiental Popular: Uma Alternativa à Crise Ambiental na Sociedade Moderna
Constatamos que a crise ambiental é sintoma de uma crise muito mais profunda do que a mídia nos passa diariamente. O que quero dizer com isto é que a crise não envolve apenas estilos de vida, padrões de consumo, projetos de desenvolvimento e pressões sociais. Por detrás de tudo isso, há um modo de produção econômico, denominado Capitalismo, que é o grande vilão, o principal responsável pela crise atual, que aliás, não é tão atual assim. Em nosso País, por exemplo, a crise tem sua origem concomitantemente com o Descobrimento, pois desde esta época nossas riquezas naturais passaram a ser exploradas, como pode ser evidenciado pelo contrabando do Pau-Brasil e, posteriormente, os inúmeros ciclos de exploração econômica como o ciclo da Cana-de-açúcar, o ciclo do café, do leite e do cacau, etc.
E não foi somente a exploração ambiental no sentido de enxergar a natureza como dissociada do ser humano. Vemos que desde o Descobrimento, nossa sociedade caracteriza-se pelo domínio do mais forte sobre o mais fraco e da exploração do trabalho. Quando os portugueses aqui chegaram, subjugaram os povos indígenas. Os povos considerados mais evoluídos (opressores), como Portugaltinham um sentimento de não pertencimento humano em relação à natureza, pois somos a única espécie racional e, portanto, superior. Aliás, diga-se de passagem, que esta é uma constatação questionável, se observarmos os dizeres de Philippe Pomier Layargues, por exemplo "Pelo que se tem notícia, desde que a vida surgiu na face da Terra há cerca de três bilhões e meio de anos, nenhuma outra espécie biológica foi capaz de provocar desequilíbrios ecológicos na proporção e magnitude da atual crise ambiental". (LAYARGUES in SANTOS & SATO, 2006, p. XIII).
Mas, voltando ao sentimento de superioridade em relação aos índios, que eram considerados pelos portugueses como primitivos, pois dependiam da natureza para viver, enquanto eles, superiores, já não precisavam dela, no sentido de dependência, uma vez que já conseguiam a explorar, a dominavam, fez com que esses povos indígenas fossem, então,subjugados por eles. Mauro Guimarães diz que "Cada vez mais a natureza é vista como recurso natural para alimentar um modelo de desenvolvimento espoliador e concentrador de riquezas e que vem, desde essa época, se disseminando e sendo implantado por todo o planeta em um processo hoje denominado de globalização" (GUIMARÃES in LOUREIRO & LEROY, 2006, p. 17).
A Educação Ambiental, apresenta-se, hoje, como um modelo de Educação que pode contribuir com as mudanças estruturais necessárias e prementes ao mundo, envolvendo estilos sustentáveis de vida, ética, padrão cultural e equidade compatíveis com a Sustentabilidade. João B. A. Figueiredo diz que segundo o Discurso Oficial sobre Sustentabilidade, o Desenvolvimento Sustentável se propõe a ser uma forma de desenvolvimento que busca compatibilizar objetivos distintos, de modo que nenhum deles seja prejudicado ou prejudique o objetivo do outro, permanecendo nos limites da capacidade de suporte do Planeta, de modo a não comprometer a integridade dos sistemas que mantém a vida na Terra no presente, nem para as gerações futuras. Entretanto, este desenvolvimento é proposto a partir de um modelo civilizatório Capitalista que prioriza o consumo e o lucro, centrando suas atenções no processo acumulador, gerador de pobreza e miséria, em escala mundial. Logo, precisa-se de uma Educação Ambiental que rompa com esta estrutura de exploração, de dominação.
Convém mais uma vez destacar que o conceito de desenvolvimento sempre esteve associado à economia. Carlos Walter Porto Gonçalves salienta bem isso em sua obra O Desafio Ambiental:
A idéia de progresso – e a sua versão mais atual, desenvolvimento - é, rigorosamente, sinônimo de dominação da natureza! Portanto, aquilo que o ambientalismo apresentará como desafio é, exatamente, o que o projeto civilizatório, nas suas mais diferentes visões hegemônicas, acredita ser a solução: a idéia de dominação da natureza. O ambientalismo coloca-nos diante da questão de que há limites para a dominação da natureza. Assim, além de um desafio técnico, estamos diante de um desafio político e, mesmo, civilizatório (PORTO GONÇALVES, 2004, p. 24).
Mais adiante, o mesmo autor ainda completa:
Desenvolvimento é o nome-síntese da idéia de dominação da natureza. Afinal, ser desenvolvido é ser urbano, é ser industrializado, enfim, ser tudo aquilo que nos afaste da natureza e que nos coloquediante de constructos humanos, como a cidade, como a indústria. Assim, a critica à idéia de desenvolvimento exigia que se imaginassemoutras perspectivas que não as liberais ou socialistas ou, pelo menos, que essas se libertassem do desenvolvimentismo que as atravessa.
Por fazerem críticas a essa idéia de desenvolvimento, os ambientalistas, com freqüência são acusados de serem contra o progresso e o desenvolvimento. Assim como Porto Gonçalves, acredito que a idéia de progresso é de tal forma parte da hegemonia cultural tecida a partir do Iluminismo, que mesmo aqueles que se consideram os maiores críticos do Capitalismo fazem estas mesmas criticas aos ambientalistas.
Ao associarmos Educação Ambiental à Sustentabilidade, percebe-se no debate corrente sobre Educação Ambiental tendências que privilegiam ações locais e outras que discutem modelos de desenvolvimento. A necessidade impõe ações localizadas, pontuais e imediatas, colocando desafios contundentes às práticas sociais. Faz-se, pois, segundo Figueiredo, necessário construir uma crítica da sustentabilidade. "Uma cultura crítica de sustentabilidade nos devolve à pergunta pela participação dos atores fundamentais dessa história. Na verdade nos remete à tarefa de buscar desvelar, no sentido freireano, o trajeto e a percepção popular sobre o assunto"(FIGUEIREDO, 2007, p. 79).
Ao pensar em uma crítica da sustentabilidade temos que considerar alguns princípios, dentre os quais a satisfação das necessidades fundamentais; a participação popular; o cuidado com os bens naturais; um sistema social solidário que garanta qualidade de vida (saúde, educação, moradia, emprego, segurança, respeito etc.). Pensa-se em um conceito de sustentabilidade, desacoplado de um desenvolvimento que não questiona o modelo capitalista. Prioriza-se uma reorientação do termo, observando a relevância do saber popular, sem descuidar dos aspectos sócio-históricos e políticos envolvidos e que devem ser considerados pela Educação Ambiental. O que significa dizer que a Educação Ambiental não pode reconhecer o eixo econômico como excludente de outras dimensões.
Assim é que se faz importante definir como demarcador a construção das Agendas 21 locais, dos bairros,das universidades, etc. Pensamos que muito há que se percorrer para torná-la exeqüível e, isto se dará quando percebermos que as novas orientações precisam de uma prática social propícia para prosperarem. Figueiredo coloca que "A Educação Ambiental hegemônica, que se insere de modo globalizado, apresenta esta tendência embutida no tecnicismo, na participação das populações em ações pontuais, nos planejamentos e decisões governamentais centralizadas que não afrontam o modelo capitalista de modo conseqüente" (FIGUEIREDO, 2007, p. 79).
Escolher uma concepção de Educação é uma decisão eminentemente política, pois ela referenciará uma práxis educativa. No mesmo sentido de práxis educativa, Moacir Gadotti definea pedagogia da práxis como "a teoria de uma prática pedagógica que procura não esconder o conflito, a contradição, mas, ao contrário, entende-os como inerentes á existência humana, explicita-os e convive com eles. Ela se inspira na dialética" (GADOTTI, 2005, p. 239).
Em nosso caso particular, acredita-se que uma forma de se alcançar os objetivos da Sustentabilidade e romper com as mazelas do Capitalismo é optarmos por um novo modelo de Educação, ou seja, uma Educação que não só é Transformadora, mas acima de tudo Popular, ou seja, dos oprimidos, como exprime Paulo Freire.
Será a partir da situação presente, existencial, concreta, refletindo o conjunto de aspirações do povo, que poderemos organizar o conteúdo programático da educação ou da ação política.
O que temos de fazer, na verdade, é propor ao povo, através decertas contradições básicas, sua situação existencial, concreta, presente, como problema que, por sua vez, o desafia e, assim, lhe exige resposta, não só no nível intelectual, mas nonível da ação (FREIRE, Paulo, 1987, p. 184).
sexta-feira, 31 de julho de 2009
domingo, 26 de julho de 2009
Plano De Trabalho Docente: Inglês Eixo Temático: Educação Para As Relações Étnico-Raciais Objetivos Gerais: - Proporcionar ao educando uma educação ampla e que supere conceitos socialmente arraigados. - Levar o aluno a conhecer melhor sua historia pessoal e a historia do grupo ao qual ele está inserido. Objetivos Específicos: - Discutir questões relacionadas à África e a africanidades em sala de aula no sentido de aprimorar o conhecimento do aluno. - Levar o educando a noção de que em um mundo globalizado não há mais espaços para isolacionismo. - Fazer com que os alunos relacionem termos em língua portuguesa, que se referem ao racismo e africanidades tem sua correspondente em inglês. - Que o aluno reconheça a importância da África para o mundo e principalmente para o Brasil e a formação do povo brasileiro. - Que o aluno assimile a africanidade como uma grande vantagem para o seu crescimento pessoal. Trabalho com conteúdos por serie do Ensino Fundamental: 5ª. Série: - Assimilação de palavras como liberdade, racismo, xenofobia, negros e brancos e, toda e qualquer palavra de fácil assimilação relacionada à temática racial. - Frases de efeito que foram usadas em relação à raça e racismo como: “I have a dream “ , “yes, we cant” entre outras. - Trabalhos com termos, frases ou sentenças que signifiquem igualdade, diversidade e liberdade. 6ª. Série: - Revisar alguns temas já trabalhados na serie anterior. - Trabalhos com termos, frases ou sentenças que signifiquem igualdade, diversidade e liberdade. - Reconhecer as redes que possibilitam a circulação de informações, mercadorias e pessoas. - A influencia da língua inglesa na África e a presença inglesa no continente. 7ª. Série: - Identificar as questões que envolvem a segregação espacial em imagens, textos e na observação da vida cotidiana. - Identificar o conceito de território explicando-o através das noções de exclusão, marginalização, segregação, identidade, relacionando-o à complexidade dos cotidianos das cidades em suas divisões e demarcações espaciais. - Reconhecer os fenômenos culturais que explicam as identidades regionais de vários povos da Terra, avaliando-os em relação à sua extinção e descaracterização do modo de vida. - Trabalho com discursos e frases de pessoas que lutaram pelas igualdades raciais como Martin Luther King, Malcon X, entre outros. 8ª. Série: - Explicar os tipos de relações sociais existentes no território relacionando-os com os lugares, suas estratégias de segregação e exclusão das populações marginalizadas. - Identificar, conhecer e avaliar os laços de identidade da cidade com o cidadão, as manifestações populares e o trabalho, assim como a falta de trabalho e a repressão às manifestações, em textos e fotos. - Identificar, analisar e avaliar o impacto das transformações culturais nas sociedades tradicionais provocadas pela mudança nos hábitos de consumo. - Compreender a modernização resultante da revolução tecnológica, seus conflitos e contradições, gerados na forma como se distribuem seus benefícios pela humanidade. Compreender o papel das redes virtuais na vida dos adolescentes e analisar a exclusão e a inclusão digital. - Explicar os conflitos resultantes da má distribuição ecológica e econômica do patrimônio natural e material, produzindo riqueza e pobreza como efeitos da degradação ambiental, sob a ótica da ordem política e econômico-financeira internacional globalizada. - Trabalho com as frases usadas por Barak Obama em sua campanha a presidência dos EUA. - Analise dos discursos de Martin Luther king. METODOLOGIAS: - Aulas expositivas acerca do tema. - Relacionar sempre o tema discutido em sala a outras disciplinas promovendo assim uma pluridisciplinalidade. - Se utilizar de textos, temas, discussões e abordagens das outras disciplinas para facilitar a assimilação de conteúdo pelos alunos. - Trabalhos multidisciplinares sobre a temática “Africanidades” - Audição, leitura e tradução de musicas cujo tema esteja relacionado ao conteúdo. - Leitura, tradução e analise de textos produzidos por ícones da luta pela liberdade no mundo. - Exibição e analise de filmes em conjuntos com outras disciplinas. Avaliações: - Elaboração de cartazes e textos sobre o conteúdo estudado. - Participação individual e em grupo. - Analise de uma prova escrita e uma teórica. - Assimilação de conteúdos e apresentação de seminários. - Participação nas atividades como um todo e freqüência as aulas. Elaboração: Profª. Mercedes Numata Revisão e colaboração: Prof. César Eduardo Pinheiro
Para ajudar no trabalho docente.
Plano De Trabalho Docente: Educação Física Eixo Temático: Educação Para As Relações Étnico-Raciais Objetivos Gerais: - Que os alunos conheçam elementos culturais africanos e como eles influenciam a vida e a cultura no Brasil. - Mostrar aos alunos que o sistema de resistência elaborado pelo negro no processo de escravização incluiu as lutas, as danças e as artes como elementos de sobrevivência cultural, física e pessoal. Objetivos específicos: - Apresentação de rituais e suas significações para o povo africano. - Apresentação de danças ritualísticas africanas e afro-brasileiras. - Demonstração de capoeira e de seu significado para os africanos que vieram para o Brasil na diáspora africana, seu contexto histórico social como elemento da cultura corporal africana e afro-brasileira. - As origens do samba e os instrumentos de percussão e as formas como eram e são utilizados. - Estudar as praticas corporais na cultura negra. - Levar os alunos a uma compreensão maior da cultura corporal africana e afro-brasileira. - Mostrar a importância da arte e o corpo na compreensão do povo africano e de sua descendência. Trabalho com conteúdos por serie do Ensino Fundamental: 5ª. Série: - As danças ritualísticas na cultura africana e afro-brasileira. - As expressões corporais e sua utilização pelo povo africano. - Pensar o lúdico como algo cultural e como uma necessidade humana nos leva os vários questionamentos sobre como o próprio homem o entende. - Compreender o corpo como totalidade. preciso compreender que a forma como os sujeitos lidam com o corpo não é universal, e sim uma construção social resultante de significativos processos históricos. Em outras palavras, as concepções que os seres humanos desenvolvem a respeito de seu corpo e da forma de se comportar corporalmente estão condicionadas a fatores sociais e culturais. - Problematizar a vivência corporal dos alunos nas brincadeiras, nos jogos, nas danças, nas ginásticas, nos esportes, enfim, em todas as suas manifestações corporais, imprimindo-lhes sentidos e significados educativos. - Conhecer jogos e brincadeiras de outras culturas. 6ª. Série: - Os ritmos oriundos da África. - Os instrumentos de percussão surgidos na África e sua utilização pelos negros no Brasil. - Buscar a formação de indivíduos, enfocando o desenvolvimento de competências sociais, cognitivas e afetivas para que esse sujeito viva melhor e conviva bem com as diversidades. - A dimensão biológica engloba fatores relativos à condição orgânica do sujeito, ou seja, à sua estrutura anatômica e fisiológica. Dentre outros condicionantes dessa dimensão, destacamos: idade, sexo, características étnicas, herança genética, condicionamento físico, estado geral de saúde orgânica. - Compreender a dança como meio de desenvolvimento de valores e atitudes (afetividade, confiança, criatividade, sensibilidade, respeito às diferenças, inclusão). 7ª. Série: - Os rituais africanos e afro-brasileiros e suas utilizações nas culturas derivadas da África. - Resgatar o convívio social e a ética, tentando interferir na formação dos alunos objetivando a formação de um conhecimento e um pensamento diferenciado em relação à realidade que o cerca e a vivencia que ele estabelece com ela. - Relações que as pessoas mantêm com seus corpos e com as outras pessoas, advindos das grandes transformações da atualidade, tais como, aumento do fluxo de informações que geram, por vezes, reações preconceituosas em relação a diferenças de gênero, etnia, características físicas, dentre outras. 8ª. Série: - A historia do surgimento e da utilização da capoeira pelos negros e sua descendência. Diferenciar a capoeira angola da capoeira regional. Identificar os elementos básicos da capoeira. Vivenciar os elementos básicos da capoeira. - Colaborar com o aprimoramento do educando como pessoa humana, como cidadão e não, apenas, com a preparação física de pessoas. - Amplo conjunto de experiências, incluindo o contato com as culturas esportiva, corporais, rítmica e de luta - Dialogar com a diversidade cultural e a pluralidade de concepções de mundo, posicionando-se diante das culturas em desvantagem social, compreendendo-as na sua totalidade. Metodologias: - Os professores poderão utilizar, dentre outros, os seguintes recursos didáticos e estratégias de ensino: • Análise de imagens e sons (filmes, vídeos, fotografias, desenhos, pinturas, propagandas, músicas, charges, murais, documentários); de objetos (troféus, flâmulas, medalhas, certificados, diplomas, brinquedos, maquetes, cenários, fantasias); de textos (livros, contos, crônicas, jornais, revistas, poesias, histórias, paródias), dentre outros; • Pesquisa, entrevista, júri simulado, seminário, palestra; • Debate com profissionais e atletas convidados; • Visita à comunidade, em especial aos espaços de esporte e lazer; • Teatro e cinema; • Oficina de brinquedos e brincadeiras; • Feira e eventos artísticos e culturais; • Campeonatos, excursões diversas, acantonamentos. - Apresentação de textos acerca dos temas que serão debatidos e estudados. - Trazer pra escola apresentações de grupos que trabalham com essas expressões analisadas e estudadas. - Se possível fazer apresentações esporádicas de capoeira no pátio da escola. Avaliações: - Detectar as dificuldades e os progressos dos estudantes. - Relatórios, dinâmicas, redações e auto-avaliações. - É preciso observar primeiro se o estudante respeita o companheiro, como lida com as próprias limitações (e as dos colegas) e como participa dentro do grupo. - Avaliar no aluno seu interesse e sua participação em danças, brincadeiras, excursões e outras formas de atividade física que compõem a nossa cultura dentro e fora da escola. Elaboração: Profª. Grace Li Mikaela Walter Lentini Revisão e colaboração: Prof. César Eduardo Pinheiro
segunda-feira, 1 de junho de 2009
Um processo em momento inicial
Nos últimos anos temos visto vários momentos novos ocorrerem na educação e novo desafio tem sido proposto aos educadores e isso tem causado muitos desconfortos e em alguns casos a sensação de impossibilidade ou mesmo de incapacidade. Um desses pontos é a lei 10.639 que versa sobre a historia e cultura afro-brasileira, diga-se de passagem, um tema que a meu ver não precisaria de uma lei já que é tão obvio a sua importância.
Em relação a esse tema faz-se necessário discutir uma serie de acontecimentos que com certeza serão a eles atrelados, queiramos nós ou não. Vamos enumerar e discutir alguns deles. Não busco aqui discutir correntes historiográficas que já debateram acerca do tema e sim apresentar algo mais concreto e próximo de nós educadores.
01 – O negro como agente histórico.
O primeiro passo pra qualquer educador é sem duvida acreditar nessa premissa: o negro é agente de sua historia e, embora em muitos momentos tenha sido levado a não crer nisso deve a partir de agora redimensionar suas idéias e rever seus preceitos. A partir do momento que a criança ou adolescente tenha isso claro em mente terá maior facilidade em lidar com sua negritude, valorizando com mais ênfase sua ancestralidade. Isso não é algo que se constroem em um dia ou uma semana, é algo que demanda tempo e que pode até levar anos, mas que é possível acontecer.
02 – A valorização da raiz cultural.
Outro fato muito importante é levar esse individuo a entender e valorizar suas raízes culturais e, para isso é necessário que ele conheça sua cultura. Esse conhecer deve estar baseado em uma visão não eurocêntrica e nem tão pouco preconceituosa daquilo que, no fundo, representa o melhor de sua ancestralidade. Uma vez tendo sido apresentado a sua matriz cultural esse individuo passa a te-la como necessidade de ampliar seus conhecimentos acerca dela e quanto mais conhece-la mais irá valorizá-la.
03 – Racismo velado: não mais.
A partir do momento que aja um conhecimento mais amplo da cultura afro-brasileira se faz necessário mostrar a real face do racismo existente no Brasil. Racismo esse que se esconde numa pseudo-democracia racial que só existiu na cabeça de alguns sonhadores de um Brasil irreal e que se mostrou extremamente desigual e desconexo da realidade. Alguns com certeza afirmarão que esse racismo não existe, pois já estão tão acostumados com ele que o assimilaram e em mente já acreditam ser ele um axioma irrefutável.
Creio que baseado nesses três eixos podemos trabalhar de uma forma mais claro, desmistificando alguns paradigmas que se tornaram “reais” durante os mais de 500 anos de historia do Brasil.
Trabalhar com africanidades é buscar nossas raízes que não são européias como nos fizeram acreditar durante tanto tempo. A origem do homem foi na África, grandes impérios se formaram na África, a colonização do mundo se deu a partir da África e, depois de tantos anos de historia o mundo europeizado foi buscar mãos de obra na África, através do mais vil seqüestro que a historia teve conhecimento, com muita violência e desrespeito as etnias que lá estavam e desestruturando nações e reinos. É essa historia que precisamos contar.
Precisamos começar a trabalhar com nossos alunos uma pedagogia da auto-estima em cima das questões afirmativas que levem os brasileiros a entender e compreender suas raízes históricas e culturais, isso pode e deve ser feito destacando a beleza de cada etnia, a riqueza das diversidades humanas tendo em vista que em cada uma delas, dentro de suas peculiaridades tem algo novo e bom a oferecer. Isso fará com que nosso aluno assuma-se enquanto afro-descendente sem crises ou neuroses e passe a ter uma identidade, não embranquecida pelas elites dominantes, mas construída com forma e identidade clara e coesa.
Em relação a esse tema faz-se necessário discutir uma serie de acontecimentos que com certeza serão a eles atrelados, queiramos nós ou não. Vamos enumerar e discutir alguns deles. Não busco aqui discutir correntes historiográficas que já debateram acerca do tema e sim apresentar algo mais concreto e próximo de nós educadores.
01 – O negro como agente histórico.
O primeiro passo pra qualquer educador é sem duvida acreditar nessa premissa: o negro é agente de sua historia e, embora em muitos momentos tenha sido levado a não crer nisso deve a partir de agora redimensionar suas idéias e rever seus preceitos. A partir do momento que a criança ou adolescente tenha isso claro em mente terá maior facilidade em lidar com sua negritude, valorizando com mais ênfase sua ancestralidade. Isso não é algo que se constroem em um dia ou uma semana, é algo que demanda tempo e que pode até levar anos, mas que é possível acontecer.
02 – A valorização da raiz cultural.
Outro fato muito importante é levar esse individuo a entender e valorizar suas raízes culturais e, para isso é necessário que ele conheça sua cultura. Esse conhecer deve estar baseado em uma visão não eurocêntrica e nem tão pouco preconceituosa daquilo que, no fundo, representa o melhor de sua ancestralidade. Uma vez tendo sido apresentado a sua matriz cultural esse individuo passa a te-la como necessidade de ampliar seus conhecimentos acerca dela e quanto mais conhece-la mais irá valorizá-la.
03 – Racismo velado: não mais.
A partir do momento que aja um conhecimento mais amplo da cultura afro-brasileira se faz necessário mostrar a real face do racismo existente no Brasil. Racismo esse que se esconde numa pseudo-democracia racial que só existiu na cabeça de alguns sonhadores de um Brasil irreal e que se mostrou extremamente desigual e desconexo da realidade. Alguns com certeza afirmarão que esse racismo não existe, pois já estão tão acostumados com ele que o assimilaram e em mente já acreditam ser ele um axioma irrefutável.
Creio que baseado nesses três eixos podemos trabalhar de uma forma mais claro, desmistificando alguns paradigmas que se tornaram “reais” durante os mais de 500 anos de historia do Brasil.
Trabalhar com africanidades é buscar nossas raízes que não são européias como nos fizeram acreditar durante tanto tempo. A origem do homem foi na África, grandes impérios se formaram na África, a colonização do mundo se deu a partir da África e, depois de tantos anos de historia o mundo europeizado foi buscar mãos de obra na África, através do mais vil seqüestro que a historia teve conhecimento, com muita violência e desrespeito as etnias que lá estavam e desestruturando nações e reinos. É essa historia que precisamos contar.
Precisamos começar a trabalhar com nossos alunos uma pedagogia da auto-estima em cima das questões afirmativas que levem os brasileiros a entender e compreender suas raízes históricas e culturais, isso pode e deve ser feito destacando a beleza de cada etnia, a riqueza das diversidades humanas tendo em vista que em cada uma delas, dentro de suas peculiaridades tem algo novo e bom a oferecer. Isso fará com que nosso aluno assuma-se enquanto afro-descendente sem crises ou neuroses e passe a ter uma identidade, não embranquecida pelas elites dominantes, mas construída com forma e identidade clara e coesa.
segunda-feira, 25 de maio de 2009
VAMOS TRABALHAR COM A DIVERSIDADE UM POUCO MAIS?
Discorrer sobre cultura africana e afro-brasileira é, acima de tudo, discutir sofre a face quase oculta da identidade brasileira. Á principio precisamos discernir qual a diferença entre cultura africana e afro-brasileira. Antes precisamos definir o que venha a ser cultura. Cliffort, em interpretação das culturas, a defini como toda e qualquer manifestação de um povo, Halbech complementa afirmando que um povo sem memória é um povo sem cultura, em conseqüência sem identidade. Então pode se afirmar que memória, cultura e identidade são palavras que se complementam entre si, e que patrimônio seja ele material ou imaterial nada mais é que a junção de todas estas palavras na prática, e que delas nasce e se explica nossa evolução ao longo de nossa diáspora neste planeta terra.
Em si tratando de cultura africana que tem como base a oralidade, se pode afirmar que muito se perdeu durante sua diáspora em terras brasileiras, mais sua influência é visível em nossa formação etnica e cultural, isto é inegável. O que se precisa entender é que, para se aprofundar melhor, na cultura chamada afro-brasileira temos que buscar, nas suas, nossas raízes, o fio da memória africana com todos seus mistérios, encantos e desencantos; mais se a base desta cultura tão rica é a oralidade, como reescrever está história? Preenchendo as lacunas encontradas com muitas pesquisas e, neste sentido, os monumentos históricos e a mitologia africana são grande aliadas. Em suma todo este ensaio se fez nessesario para percebermos que cultura africana é a mesma na sua essência antí-colonizaçaõ, e a afro-brasileira e a que nasceu com a miscigenaçaõ que se deu em nosso país durante a colonização. E ambas fazem parte de nossa identidade.
Identidade, afinal: quem somos, onde estão nossas raízes brasileiras? Podemos afirmar com certeza que se encontram inicialmente em três continentes: o americano, na forma de nossos indios, no europeu na pessoa dos portugueses, e também espanhóis que por um tempo também se abrigaram e brigaram por nossas terras, e em nossa terra mãe, o continente africano, berço da humanidade e da cultura imaterial. Durante bastante tempo o Brasil viveu sob a condição de colônia europeia, e o resultado disto sem dúvidas é vizivel no nosso comportamento até os dias atuais; era papel da colônia reproduzir em todos os sentidos a cultura da sua metrópole, no nosso caso o Portugal. Nossa arquitetura seguia a influência de nossa colônia. A nós cabia o de suporte em todos os sentidos, e quando o Brasil se tornou “independente” se sentiu a necessidade de buscar algo que desse um cara própria ao novo país que acabava de nascer. Onde buscar subsídios para entender e escrever esta história? Neste momento começaram a dar a importância devida a nossos monumentos, que até eram vistos como frutos da vaidade de nossas governantes, ou registro de suas façanhas e poder
Responda:
01 – O que você entende por diversidade?
02 – Como você vê a situação do negro no Brasil?
Em si tratando de cultura africana que tem como base a oralidade, se pode afirmar que muito se perdeu durante sua diáspora em terras brasileiras, mais sua influência é visível em nossa formação etnica e cultural, isto é inegável. O que se precisa entender é que, para se aprofundar melhor, na cultura chamada afro-brasileira temos que buscar, nas suas, nossas raízes, o fio da memória africana com todos seus mistérios, encantos e desencantos; mais se a base desta cultura tão rica é a oralidade, como reescrever está história? Preenchendo as lacunas encontradas com muitas pesquisas e, neste sentido, os monumentos históricos e a mitologia africana são grande aliadas. Em suma todo este ensaio se fez nessesario para percebermos que cultura africana é a mesma na sua essência antí-colonizaçaõ, e a afro-brasileira e a que nasceu com a miscigenaçaõ que se deu em nosso país durante a colonização. E ambas fazem parte de nossa identidade.
Identidade, afinal: quem somos, onde estão nossas raízes brasileiras? Podemos afirmar com certeza que se encontram inicialmente em três continentes: o americano, na forma de nossos indios, no europeu na pessoa dos portugueses, e também espanhóis que por um tempo também se abrigaram e brigaram por nossas terras, e em nossa terra mãe, o continente africano, berço da humanidade e da cultura imaterial. Durante bastante tempo o Brasil viveu sob a condição de colônia europeia, e o resultado disto sem dúvidas é vizivel no nosso comportamento até os dias atuais; era papel da colônia reproduzir em todos os sentidos a cultura da sua metrópole, no nosso caso o Portugal. Nossa arquitetura seguia a influência de nossa colônia. A nós cabia o de suporte em todos os sentidos, e quando o Brasil se tornou “independente” se sentiu a necessidade de buscar algo que desse um cara própria ao novo país que acabava de nascer. Onde buscar subsídios para entender e escrever esta história? Neste momento começaram a dar a importância devida a nossos monumentos, que até eram vistos como frutos da vaidade de nossas governantes, ou registro de suas façanhas e poder
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01 – O que você entende por diversidade?
02 – Como você vê a situação do negro no Brasil?
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